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A toxicidade do Cloro no plantio

Cloreto (Cl) é um micronutriente essencial para a maioria das plantas. No entanto, é frequentemente associado a danos por salinidade e toxicidade. Cada cultura tem sua própria tolerância aos níveis de cloreto presentes no solo, mas este é um microelemento importante porque ajuda na fotossíntese, no ajuste osmótico e na supressão das doenças das plantas. Concentrações excessivas de Cl podem causar problemas de toxicidade e reduzir o rendimento. Quatro fatores básicos determinam a quantidade de Cl disponível para as culturas em solos bem drenados (Goos, 1987):

  • Concentração de Cl na solução do solo;
  • Deposição atmosférica de Cl;
  • Concentração de Cl na água de irrigação;
  • Conteúdo de Cl em fertilizantes e estrume.

Os sintomas mais comuns de toxicidade por cloretos incluem necrose das margens das folhas, levando a queda das folhas, quando agravadas. A absorção excessiva de cloro reduz a qualidade, atrasa a maturação e afeta a combustibilidade, acreditando-se que o efeito do Cl na queima é devido ao aumento de substâncias higroscópicas na folha.

O fertilizante Cloreto de Potássio (KCl), muito utilizado por agricultores, possui um alto nível de cloro. Sua composição é de, aproximadamente, 50% potássio e 50% cloro. Por ser um micronutriente, o cloreto é requisitado em baixas quantidades pelas culturas. Utilizar KCl de forma contínua resulta em altas doses de Cl nas plantações, pois uma substância que deveria ser aplicada em menor quantidade acaba sendo aplicada em abundância no solo. Um quilo de fertilizante KCl é equivalente a aplicar um litro de alvejante, devido à alta concentração de cloro.

Em um experimento para estudar o efeito do excesso de cloro, alumínio e manganês em dois cultivos de soja, sob condições controladas, foi observado o seguinte (E. Malavolta, 1980):

No experimento com cloro, a dose excessiva foi de 1750 ppm. As plantas foram recolhidas com acentuados sintomas de toxidez. Elas apresentavam amarelecimento internerval das folhas mais velhas e necrose esbranquiçada das margens que se enrolam para cima.

É sabido que o uso de cloreto é proibido no cultivo de orgânicos, justamente por causar prejuízos em diversas culturas. No cultivo do café, por exemplo, o excesso de cloreto piora a qualidade da bebida pois inibe a atividade de enzimas que estão diretamente ligadas à sua qualidade. Além disso, o cloreto contribui para um maior teor de água nos frutos, o que aumenta a chance de proliferação de microrganismos que podem gerar fermentações indesejadas.

Fonte: Verde Agritech